Minha Pátria, Minha Língua

Língua portuguesa

Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Língua

Caetano Veloso

“Gosto de sentir a minha lígua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesias está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala mangueira!
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó”

Dissertação:

                                    

                                   Minha pátria, minha língua

                                      Por  Mariana Haddad

            É incontestável que a linguagem de Olavo Bilac seja diferente da que Caetano Veloso utiliza em sua música, afinal mais de um século os separam.

 

            Isso mostra que a língua, com o passar do tempo, vai se transformando: ela é viva, cheia de matizes, influenciadas por diversos povos que formaram a pátria. São essas influências que tornam cada língua única, mesmo essas tenham as mesmas raízes.

 

            Nota-se claramente que o português de Bilac é mais próximo daquele trazido pelos lusitanos, quanto o de Caetano é mais próximo ao utilizado atualmente: as palavras correm soltas, livres e contam até com neologismos criados devido às exigências de nosso tempo e cultura.

 

            Quando Veloso afirma “minha pátria é minha língua”, ele aborda exatamente essa diferenciação, fruto de nossas raízes, que agregam três raças (branca, negra e indígena) e muitos outros povos que aqui chegaram e contribuíram pra nossa formação eclética e multicolorida.

 

            Podemos citar alguns exemplos de palavras extremamente utilizadas em nosso dia-a-dia, que muitas vezes desconhecemos a origem. “Capivara” é proveniente da língua indígena, “cochilar” da africana, “batom” do francês, “tchau” do italiano, ect… Todas essas pertencem à nossa língua e mostram que a diferenciação geográfica é bem marcante fazendo com que se forme a variante brasileira do português.

 

            Uma mesma língua possuí aspectos e tonalidades diferentes de acordo com a cultura, vivência e etnia dos povos que a utilizam.

                                               

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Published in: on setembro 10, 2007 at 3:07 pm  Comments (1)  

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  1. Mariana, parabéns, querida, pelo blog… muito bom… valeram os 3,5 e até mais… espero que continue escrevendo e mais – que goste cada vez mais de escrever, tá??? Parabéns, mesmo! beijos.


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